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É clichê e me sinto muito burro, porque não entendi nada, mas não tenho como escapar do “todo carnaval tem seu fim”. Em um mês, fui em pelo menos 20 ensaios e cortejos de blocos cariocas. Para encerrar essa primeira temporada, estive no “Caetano Virado”, no Aterro do Flamengo, já no sábado, 8 de março.









Durante o cortejo, algo que me chamou a atenção estava dentro e fora da coisa em si. Não era a primeira vez que tinha sentido isso no carnaval de 2025: o quanto vivemos realmente um momento particulamente esquisito. Digo isso em relação ao clima. Ao resto da vida, claro, também vivemos sob ameaça. Entretanto, como não chovia há tanto tempo e o sol não alivia, a fumaça que subia não era fogo, mas terra! A cada passo do bloco, a secura do mundo se elevava também cobrindo a música e sua fantasia.



Se por um lado o clima estava seco, a abundância de Caetano, no feliz Rio de Janeiro, constrastava com aquela sensação de fim e poeira. Sentia-me como se estivesse ainda para começar o carnaval. Mas não, ele encerrava ali minha disposição para captar as formas que a sombra e a luz me permitiram durante esses 30 dias. O vapor de cachoeira não iria mais negavar nesse mar. Arribei a saia e, então, fui embora.










O tempo é um senhor que nos cura, mas também leva um cado da nossa alma. É verdade que ele compôs um destino que não tinha como escrever, mas foi desenhado com minhas mãos, e o pedaço que carregou de mim, ainda que brilhe, atravessa-me o oceano da minha saudade. Mas um dia, quem sabe, a gente se reúne de novo e as rimas do meu caminho deixem a secura da alma e me ajude a sorrir de novo, de mãos dadas com minha niña Teresa, num carnaval que não terá fim.
@jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval




































