Rio de Janeiro – Perimetral, setembro de 2013
Uma memória do impossível
Quando era menino, meu pai me levava ao Rio em suas viagens a trabalho. Uma delas foi muito significante. Fomos meu irmão, eu e meus pais. Geralmente, íamos só eu e ele. Nesse dia, cruzamos a Ponte Rio-Niterói e os guindastes me chamaram muita atenção, tornando uma espécie de “punctum”, aquilo que era impossível no meu cotidiano – afinal, morava em Juiz de Fora e o mar não chega em Minas.
Quase 20 anos depois desse dia, me mudei para a cidade e em uma ocasião em que acompanhava os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira, tirei essas fotos do ônibus que passava sobre a Avenida Perimetral. Cerca de dois meses depois, ela foi implodida em um projeto de “revitalização”, mas que se revela no encarecimento do espaço físico e gentrificação da área.
Hoje, acessar a esse momento familiar se tornou impossível, como ao ângulo do qual parti para rever essas figuras do passado e que confabularam em meu imaginário por duas décadas. Nem os metais são mais venerados, nem o mar é algo distante.







