Meu aniversário carioca

Hoje, 18 de março, é uma espécie de cumple años pra mim. Foi nesse dia, há 12 anos que me mudei definitivamente para o Rio. Minha relação com essa cidade desde pequeno sempre foi de desejo. Tentei me mudar pra cá quando tinha 18 anos, mas meu pai disse que não. Agora, até entendo e agradeço. Ter vindo com 30 talvez tenha me garantido chegar aos 30.

Flamengo, carnaval, o mar, a floresta, a distância curta para Juiz de Fora, tudo isso sempre me fascinou e desde cedo tinha certeza que viveria aqui, nem que fosse por dois anos. Era o que eu pensava já na casa dos 20 e já casado. Antes de vir, tive uma temporada de seis meses em São Paulo. Voltei para Minas e, mesmo tendo uma oportunidade de trabalho que me traria dificuldades financeiras iniciais, não tive dúvida quando meu camarada Bianco me indicou para a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Cheguei para a comunicação da OSB – sempre quando falo que trabalhei por lá, alguém me pergunta qual instrumento que eu tocava. Minha resposta: teclado! Com liberdade e confiança dadas pelos meus chefes Agenor e Sandra, consegui desenvolver várias ideias que já havia aplicado em sala de aula e também na minha dissertação de mestrado: criar uma comunidade digital envolvida com conteúdo pertinente e não necessariamente autocentrado na própria OSB. Assim, em pouco mais de dois anos, passamos de 5 mil seguidores para 190 mil, sem gastar um real para isso. Apenas tendo a certeza que a instituição representava a música no Brasil e essa, por consequência de nossa cultura, era uma raiz muito importante e pertinente para todas e todos. Outro fator decisivo foi a conclusão que chegamos: a música de concerto não é erudita nem clássica. É música e, por aqui, por sinal, é tanto acadêmica quanto popular e se mescla e com isso se torna ainda mais especial e pertinente para todo e qualquer público.

Músicos e musicistas

Em pouco tempo, nossas chamadas foram deixando os jornais impressos e as apresentações passaram a ser anunciadas pelas redes sociais. Funcionou e funcionou bem até que em 2018, após uma crise de ordem institucional gravíssima, a OSB teve que fazer uma imensa reformulação e pedi minhas contas. Aprendi muito no período em que estive na comunicação da Orquestra e tive a oportunidade de visitar e conhecer o Theatro Municipal do Rio. Um templo incrível e com locais quase secretos que descobria a cada concerto. Fui ao Rock in Rio, na abertura que fizemos em 2013. Lançamos um aplicativo de educação musical que teve sucesso internacional. Conheci Milton, Lenine, Gal. E mais do que tudo, realmente aprendi que a música é tão ou mais influente que o futebol em nosso país.

Ensaios

Agradeço demais aos meus companheiros e companheiras que fizeram parte desse meu nascimento carioca, meu renascimento enquanto sujeito: Iuri, Agenor, Sandrinha, Gabi, Karine, Michelle, Beta, Blattes, Anahi, Bia, Lele, Rafa e tantos outros e outras que me acolheram na OSB. Ainda pude aprender muito sobre fotografia com o querido e imenso Cícero Rodrigues. E é o que me resta desse parto além das memórias que já me fogem: as fotos que tirei ao longo dos quatro anos. Muito obrigado!

Theatro Municipal do Rio

Instrumentos

@jotapedeoliveira

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