Não Monogamia Gostoso Demais

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Se a gente parar pra pensar sobre o que é monogamia vai perceber que o casamento por amor é uma invenção do romantismo. Portanto, datado. Um grito de liberdade da juventude aristocrata-burguesa do século XIX. Em praticamente todo o mundo, até bem pouco tempo atrás, a união entre duas pessoas acontecia por necessidades econômicas – olha o dote, aí; territoriais; familiares e burocráticas. Talvez seja duro pensar nisto, mas é bem provável que uma antepassada sua deva ter sido forçada a se casar com um homem, geralmente mais velho, que não a conhecia antes das núpcias.

O ideal romântico reorganizou a sociedade industrial e urbana em uma panela de pressão sobre as mulheres. Ela passou o século XX num lugar de entrega e sacrifício para o marido e a família, de compromisso com valores sociais conservadores, com um ideal romanciado e vendido por novelas que as colocam sempre como dependentes desse domínio.

A monogamia para Alexandra Kollontai (1872-1952), do jeito como é proposta e executada na modernidade, é uma armadilha para as mulheres, pois os monogâmicos, os homens que pregam e impõem a mesma, só querem ser cuidados e nada mais. Uma prisão que as impede de ser verdadeiramente felizes, pois não são livres, por mais que se convençam em um momento ou outro de uma satisfação clandestina.


A monogamia, seja de um casal hétero ou não, dá respaldo social para que mulheres se silenciem diante o medo do abandono, da violência doméstica, das mazelas econômicas e com isso, trabalhem gratuitamente, dia após dia, para outra pessoa, seja cuidando da casa, de seus descendentes, sua saúde, alimentação negócios, prazeres e por aí vai. Sempre terá uma mulher no fino meio fio da vida enquanto a monogamia for idealizada.

Amar e ser correspondido/a para a maioria das pessoas, é uma vã espera cega, repetitiva, traumática e cheia de insatisfação. O amor romântico é um apelo à dominação conservadora e patriarcal explícita. Na maioria das vezes, retira do mundo duas pessoas, mais do que coloca uma nova potência.

Já a não monogamia pode bem ser um vazio, um caminho mais facilitado para o hedonismo, uma lacuna carente a ser preenchida com menos barreiras, sem posses ou promessas. E, tudo bem. Não há nada que garanta qualquer recompensa futura, mas há liberdade sobretudo para aquelas que sempre estiveram sob a égide de uma sociedade machista e geralmente misógina.

Fotos feita com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro | 15/02/25
@jotapedoliveira

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