Parada LGBT+ Juiz de Fora 2025 – Rainbow Close

O que significa viver depois dos últimos dez anos, quando a onda reacionária tomou conta, literalmente, das ruas e da mente de muita gente? Em Juiz de Fora, 2025 marcou a primeira Parada LGBT+ depois de uma década de ausência. O próprio intervalo sem que um trio elétrico exaltando a liberdade de se ser quem é passasse pela principal avenida da cidade – pioneira nos direitos da comunidade LGBT+, diz muito sobre o tempo reacionário e hipócrita que ainda não passou, mas que não se parece tão feroz como há cinco, seis anos. Ainda carregamos no peito e na memória muitas marcas desse período, em que tudo andou rápido demais, porém não necessariamente para frente. E elas, infelizmente, envenenaram nossa terra. Todavia, há tempo para um novo cultivo e no sábado, 23 de agosto, foi o primeiro dia da semeadura coletiva para mexer e remexer com os corpos e coração de muita gente. Recomeço!

Por João Paulo de Oliveira (@jotapedeoliveira)


ANTES DE MAIS NADA 01: agradecer e parabenizar ao conjunto de movimentos sociais unificados em torno da causa; à querida @talliasobral do PSOL e ao Conselho Municipal LGBT+, às vereadoras de JF e deputadas mineiras que idealizaram, lutaram e fomentaram a volta da Parada ao calendário nacional e da cidade. Confira os movimentos, ativistas e parlamentares que ajudaram a promover o evento em 2025.

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Um sábado sagrado e de família

Um amigo, Ivan Cunha, me lembrou do tempo quando havia um sábado de agosto sagrado em Juiz de Fora. Nossos pais, mães, tias/os, primas/os, padrinhos, madrinhas nos levavam ao Calçadão da rua Halfeld para assistir ao intenso e esperado desfile de drags – era um programa da família juizforana, precedendo durante o dia, o Miss Gay no Sport à noite. Mais tarde, já nos tempos de faculdade, a gente descia em bando para curtir a Parada LGBT+ e adorávamos a Raibow Fest. Era o dia em que se podia ser o que se quisesse, apesar da pressão e da violência e do preconceito sempre rondando.

Os três eventos, desde antes dos anos 2000, faziam da cidade um palco de liberdade e mais do que isso, contribuíu para a criação de políticas públicas que protegiam e amparavam essa comunidade como a Lei Rosa, logo no início do novo milênio e agora, mais tarde, o Conselho Municipal de Promoção e Desafio dos Direitos Humanos da População LGBTQI+, proposto e dirigido por Tallia Sobral durante sua mandata como vereadora de Juiz de Fora (2021-24) – um oásis de resistência e organização em meio a tempos espinhosos.

Inundando as almas dos caretas

É doloroso ver como, em pouco mais de uma década, muito disso mudou. Quem antes celebrava, hoje teme a reação dos reacionários locais. Os mesmos que um dia se orgulharam da festa agora, recriminam. E são justamente esses que gritam por uma “liberdade de expressão” seletiva, aquela mesma que defende um ex-presidente homofóbico e que nunca deixou de incitar violência contra quem é diferente e usou do pânico moral para, ao mesmo tempo, fomentar preconceito e violências e fazer política eleitoral.

Também pesa perceber que o comércio de Juiz de Fora se arrumou pouco para receber gente do Brasil inteiro. Faltaram bandeiras, cores, sinais de acolhimento, estabelecimentos em festa, promoções para turistas. Será o reflexo desse tempo hipócrita e careta, já que antes, apesar de um desconhecimento sobre os temas LGBT+, não havia uma franca, criminosa e quase naturalizada oposição às manifestações de liberdade?

Entretanto, o novo sempre vem, e a vontade de autonomia e liberdade persiste mesmo diante da reação conservadora da última década. Depois de três anos de muita luta por recursos e contra o reacionarismo vigente, movimentos sociais se organizaram para realizar a Parada deste ano. Assim, o 23 de agosto foi histórico, não só por conta dos dez anos de paralisia e retrocesso, mas porque aponta para uma brisa colorida que há de anunciar o soprar de um novo e renovado tempo.

Estive nas ruas registrando a alegria e com alegria pude ver pessoas de todas as idades, o que encanta, pois revela gente que nunca pode se manifestar publicamente ao lado das novas gerações que, muitas vezes, nem compreendem como se ficou tanto tempo assim no armário. Eram sorrisos diversos, ocupando a principal avenida, celebrando quem são e pedindo futuro. Algo que não diz apenas para a comunidade LGBT+, mas também para a própria cidade que parece ter se despertado após um longo e sonolento torpor de convivência nas ruas. Vi e fotografei famílias inteiras, mulheres se amando sem medo, pessoas 60+, 20-, muita gente feliz.

A pergunta que fica é: como fazer com que isso seja mais que resistência? Como transformar em celebração definitiva a passagem dos trios pela avenida? Como celebrar o que já cultivamos sem deixar que o retrocesso arranque da bacia a água da liberdade que se conquistou com tanto esforço?

TODAS AS FOTOS DA PARADA LGBT+ JF 2025

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João Paulo de Oliveira – jornalista, fotógrafo e esperançoso
Instagram: @jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval

LEI ROSA: Lei nº 9.791 de maio de 2000, que foi pioneira no Brasil ao criminalizar a discriminação motivada por orientação sexual de pessoas homossexuais, bissexuais ou transgênero, e é considerada um marco na luta por direitos LGBTQIA+

Movimentos Sociais, ativistas e parlamentares que ajudaram a promover a 14ª Parada LGBT+ JF:

Movimentos Sociais:
Mães pela Liberdade
Transtornados
Astra
MGM
Miss Gay
Conselho Municipal LGBTQI
OAB Diversidade
Caminhada Lésbica
Comitê População de Rua
CTA – JF
Cellos BH

Ativista:
Tallia Sobral (PSOL)

Parlamentares:
Vereadora Cida Oliveira (PT)
Vereadora Laís Perrut (PT)
Vereadora Letícia Delgado (PT)
Dep. Estadual Bella Gonçalves (PSOL)
Dep. Estadual Betão (PT)
Dep. Federal Ana Pimentel (PT)
Dep. Federal Duda Salabert (PDT)

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