Tecnomacumba – Rita Bennedito

Laroyê, Exu!
Laroyê, Exu! Pelo segundo ano consecutivo, a região do Cais do Valongo se tornou uma grande terreiro a céu aberto para louvar o carnaval, os orixás e o povo da rua. O carnaval é tempo em que os orixás saem à cidade, levando consigo o axé, o agogô e o batuque da cultura negra.

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@blocotecnomacumba, de @RitaBennedito, é uma síntese da nossa cultura popular, negra, indígena, litorânea e nordestina. A primeira característica que considerei para chegar a essa conclusão, é a territorial, por acontecer no Rio de Janeiro, cidade em que se vê todas as classes e cores de brasileiros no seu cotidiano, queira você ou não. Em São Paulo, definitivamente, não tem isso. É um carnaval com ritmo e dança, com uma música potente que mistura a macumba, o rock pesado e bases eletrônicas. É pra cima, empolgante, uma vocalista puxadora de ponto. É religioso, mas sincrético, pois não se esquece da Jurema. É sagrado tal qual uma procissão católica ou uma louvação na Central. Afinal, não há nada mais espiritual para o povo de rua do que uma festa, na RUA.


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E não é qualquer festa. É uma festa “do lado de fora” dos barracões, na Avenida. No geral, não é escondido porque é mistério. É escondido, sim, por medo de ser atacado. Só que na Tecnomacumba, as pessoas querem ser amigas de seu Zé e dona Maria Padilha. Afinal, é no clima do carnaval que a gente desce as máscaras ordinárias e abraça a liberdade.

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Portanto, creio que esse momento proporcionado pelo @blocotenomacumba reúne em si características da nossa cultura urbana, em que um liquidificador cultural/religioso chamado Umbanda fez a mediação: louva os Orixás negros, a Jurema e os Caboclos indígenas e até o palestino tem seu lugar, Jesus. Do ocidente mesmo, só às vezes, o espiritismo-positivista e hierárquico de Kardec. Ou seja, no final das contas, a religião prova que somos outra coisa, por mais que a submissão ao modo de vida e hegemonia cultural estadunidense nos confundam, nos dizendo que somos ocidentais. Somos Sudacas! Acho até que Rio, São Paulo e Salvador, pelo menos, são cidades cosmopolitas, dentro de um sistema econômico dolarizado, ocidentalizado, óbvio.

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Porém, o que tem aqui, no nosso carnaval, não tem em lugar algum. Tudo bem que no resto do mundo possa existir coisas que não temos, mas acho difícil haver qualquer lugar nesse planeta onde você vai, ao mesmo tempo, pra rua com a roupa que quiser (ou sem), canta a música em coro com gente que nunca viu, dança onde passam os carros, se entorpece, beija meninos, meninas e menines e isso é socialmente aceito; faz amizades, come, bebe, pega o instagram e ainda pode fumar/bater um/a. E continua.

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Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro, Cais do Valongo/Prainha | 16 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira

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