Todo fim tem seu carnaval

Rio de Janeiro, verão de 2025
JP de Oliveira

Quem se sentir a vontade para apoiar esse projeto tem duas formas: me recomendar para cobrir shows, performances e espetáculos ou pelo PIX 21971321982 (meu zap tb).

Fiz uma experiência estética e etnográfica nesse carnaval por conta de uma oportunidade de uma década: pela primeira vez em 9 anos não estava cobrindo o evento de forma política. Porém, não consegui me ausentar de relatar esse momento de exceção e exagero. Todavia, dessa vez, a pequena arte da fotografia e do jornalismo literário me tomaram e criei um projeto chamado @50mmdecarnaval – pelo qual cobri 20 apresentações de blocos no pré e durante o feriado aqui no Rio. Veja o calendário ao final.

Desde 2016, seja na Sapucaí ou nas ruas, ao vivo ou de forma híbrida, estive de plantão para cobrir blocos, escrever texto, editar vídeos, fazer cards, espalhar coisas pelo zap, postar nas redes sociais. Foram conteúdos sobre a repressão da GM contra os ambulantes; a participação de um parlamentar em um bloco ou escola; a exaltação de um enredo crítico ao golpista, ao prefeito, ao capitalismo ou ao conservadorismo; sobre o Axé e Orixás; ou a euforia dolorosa do samba da Marielle e de um Jesus Negro… Tudo isso me fez enquanto jornalista e militante, mas não tinha noção desde 2015 do que era passar um carnaval sem ter que prestar atenção aos meandros do próprio carnaval, pra além da folia.

Clique nas fotos para melhor visualizá-las

Neste ano de 2025, oportunidade de uma década, meu trabalho foi pescar o fino sabor da estesia. Inciei a partir de um convite de uma amada amiga e depois de ver o que conseguia despertar com uma câmera e uma lente .50mm, ambas emprestadas pelos meus irmãos Iuri e Ivan, percebi que era importante seguir. Dali, as collabs, as letras e a luz do sol fizeram o resto. Aprendi muito nesse mês e acho que nunca mais serei o mesmo fotógrafo, algo que estava na minha bio, mas que achava até engraçado por não praticar com afinco. Dessa vez o fiz!

31 de janeiro | Bloco Virtual (MotoCerva/Lapa)

Tudo começou com um ensaio do Bloco Virtual no MotoCerva. Cheguei um pouco apreensivo por ser um ambiente fechado, com luz relativa. Entretanto, quando as dançarinas começaram sua performance, penso que foi ai que a magia aconteceu. Como foi lindo ver Natini, Tais e Dandra:

Movimento – Bloco Virtual – MotoCerva (Lapa)

10 de Fevereiro | Boitatá (Circo Voador/Lapa)

Em seguida, estive no ensaio do Boitatá, no Circo Voador:

Sem dúvida, o carnaval é uma explosão de alegria necessária nesse mundo cada vez mais caótico. E, o Rio de Janeiro é o palco principal dessa catarse. Entretanto, os dias de Momo não são apenas quatro. É uma ÉPOCA. E, nela uma personagem coletiva impressionante se chama Cordão do Boitatá. São quase duas décadas de carnaval que todo ano (re)começa em ensaios às segundas (fazer desse dia, um dia bom é um milagre e eles conseguem) que antecedem dois momentos que esse grupo nos brinda: o cortejo no pré, no domingo anterior; e o sempre perfeito show na praça XV, no domingo mesmo de carnaval.

14 de Fevereiro | CorTaylor (Aterro/Flamengo)

Na semana dessas fotos, entrei em dois grupos de carnaval para saber das agendas dos blocos no pré. Assim, com o calendário em mãos, me preparei para entrar de fato nesse projeto. Na sexta, 14, fui ao Aterro conferir o ensaio do CorTaylor, a versão em cortejo do Forró da Taylor.


A Rua Taylor é um cantinho entre a Lapa e Santa Teresa onde a fumaça sempre subiu nos intervalos das programações. Entretanto, de tão calmo, ali se tornou um lugar ideal para um agito de arrasta pé. Pra cá, pra lá, pra lá, pra cá. Assim, há uns anos brotou na escadaria o @forrodataylor

15 de Fevereiro | Ibrejinha/Loló de Ouro/NMGD – (Boulevard Olímpico) | Tecnomacumba (Valongo/Saúde)

O sábado, 15, e o domingo, 16, seriam os primeiros desafios mais intensos. Fui a seis blocos. No sábado, entendi o quanto a posição do sol e um bloco faz a diferença. Ao chegar pela manhã no Boulevard Olímpico para fotografar o ensaio aberto do Ibrejinha, não imaginava a dificuldade que teria para enfrentar o contra-luz. O bloco estava de costas para o sol inclemente e qualquer clique ficava bastante escuro. Tive que entender que somente quando os músicos se virassem para atrás, conseguiria fotografar. O maestro foi aquele que me mostrou o caminho:

De repente, como só no Rio, um outro bloco, bem menor, uniforme, com instrumentistas, pernaltas e público vestindo vermelho passa no Boulevar – o verdadeiro legado olímpico. Não poderia ser outro que não o @naomonogamiagostosodemais. E no sentido contrário ao anterior. Ou seja, com o sol batendo de frente com o bloco. Perfeito, do nada, encontrei o que procurava. Ou melhor, o bloco me achou.

Quando já estava deixando a área para ir pra casa e editar o primeiro material, me aproximando da estação do VLT, vi uma imensa cabeçada debaixo do Museu do Amanhã. Era o Loló de Ouro. De novo no contra-luz e muita gente. Tive que usar o laboratório digital (Lightroom/Adobe) para diminuir de forma drástica a exposição.

Laroyê, Exu – Sábado à tarde

Laroyê, Exu! Pelo segundo ano consecutivo, a região do Cais do Valongo se tornou uma grande terreiro a céu aberto para louvar o carnaval, os orixás e o povo da rua. O carnaval é tempo em que os orixás e egons se encontram na cidade, levando consigo o axé, o agogô e o batuque da cultura negra. Esse foi Tecnomacumba, de Rita Benedito, o quarto e último bloco que fotografei no sábado, 15. Pra mim, o @blocotecnomacumba é uma síntese da nossa cultura popular, negra, indígena, litorânea e nordestina.

É um carnaval com ritmo e dança, com uma música potente que mistura a macumba, o rock pesado e bases eletrônicas. É pra cima, empolgante, uma vocalista puxadora de ponto. É religioso, mas sincrético, pois não se esquece da Jurema. É sagrado tal qual uma procissão católica ou uma louvação na Central. Afinal, não há nada mais espiritual para o povo de rua do que uma festa, na RUA.

E não é qualquer festa. É uma festa “do lado de fora” dos barracões, na Avenida. No geral, não é escondido porque é mistério. É escondido, sim, por medo de ser atacado. Só que na Tecnomacumba, as pessoas querem ser amigas de seu Zé e dona Maria Padilha. Afinal, é no clima do carnaval que a gente desce as máscaras ordinárias e abraça a liberdade.

16 de Fevereiro | Zona do Mangue (Cidade Nova/Estácio de Sá) | Summer Eletro Bloco (Praia do Flamengo/Glória)

O dia seguinte me reservaria a minha maior surpresa nesse carnaval. Há uma semana, tinha descoberto no Instagram um bloco que muito me encantou e faz parte diretamente desse momento: o Zona do Mangue. Pra mim, Chico Science é o nosso Kurt Cobain. Revolucionou a música em meu espírito da mesma forma que o Nirvana fez com o mundo ocidental. Assim, me vesti com uma camisa do Pernambuco e me direcionei à Cidade Nova, zona norte.

O bloco @zonadomangue estreia no carnaval do Rio confirmando a fusão entre a mescla cultural riquíssima do Rio e do Recife, com a história da entidade “cidade” e mais do que isso: com o mangue e seus molambos e molambas. Ao resgatar a zona do mangue, na região da Cidade Nova/Praça XV; o projeto contribui para a necessária descentralização da folia. 

O lúdico presente nas máscaras e fantasias do Zona do Mangue e, a música e seus instrumentos, deram muito sentido para a relação comunitária, que ficou muito patente no ensaio desse domingo, 16 de fevereiro. O cortejo, em boa parte, o Estácio, berço do samba, palco do carnaval de Avenida, mas com características urbanas e sociais que muitas vezes não permitem espontaneamente que suas ruas estreitas vejam a passagem de blocos por ali.

Domingo à noite

O domingo ainda não iria chegar sem antes o caos. Saí do Estácio, onde o Mangue arrefeceu, e fui para a região da Glória. De repente, uma multidão. A princípio achei que era o Summer Eletro Bloco, mas era um gigantesco craque, muito bom por sinal.

19 de Fevereiro | Vem cá minha Flor (Bola Preta/Lapa)

Na semana seguinte, iniciei meu caminho pelo ensaio do Vem cá minha flor, no Bola Preta, na quarta, 19:

21 de Fevereiro | Bigode do Leôncio (Gamboa)

Na sexta, 21, acompanhei o ensaio-cortejo do bloco @bigodedoleoncio pela Gamboa, praça da Harmonia. Tal qual o bloco Zona do Mangue, a relação com a comunidade também se deu como uma das principais características do Bigode. Durante o cortejo, em frente à casa de dois agitadores culturais do bairro, o Bigode parou para plantar uma árvore no asfalto, pois é dele também que nasce a tragédia e é nele que temos que fiar nossa arte para transformar a porra-toda e crescer um novo mundo.

Vai pegar fogo

Reza a mitologia que Prometeu, um titã, filho de Urano, roubou o fogo dos deuses e o ofereceu aos humanos. Com isso, nos deu o faber da arte, a abastração material do mundo e do espírito. A mágica passou a ser ofício do sagrado e dali tudo o que temos hoje foi iniciado.

E foi o fogo que nos criou, a essencia que o Bigode trouxe para os ávidos por carnaval.

22 de Fevereiro | Canáriosdo Reino/ Maribondo Não Respeita (Cinelândia) | Secreto (Carioca)

No sábado, 22 de fevereiro, a Rua do Matoso foi parar na Cinelândia e o síndico deu seu alô no pré-carnaval logo cedinho. O bloco Canários do Reino, que homenageia Tim Maia e sua turma da Matoso, me trouxe uma reflexão sobre a passagem do analógico para o digital e do quanto a memória fonográfica de nossa cultura, sobretudo nos tempos da Ditadura, não passariam para o agora se não fossem os e as amantes do vinil. Ainda me encontraria com ele no carnaval mesmo, no domingo. Abaixo, as fotos do ensaio aberto na Cinelândia:

Depois do tradicional vácuo de blocos, entre 11h e 14h, o sábado, 22, trouxe o bloco Maribondo Não Respeita (@blocomaribondo), na parte da tarde, com concentração na esquina da Av. Antônio Carlos com Winston Churchill. Ele é um bloco dirigido e composto em sua maioria por mulheres, o que o leva para um lugar natural de luta, não só pelos desafios do enfrentamento ao patriarcado que emoldura (e fode) nossa sociedade, mas também por se abrir ao contraditório e ao controverso à norma hegemônica dentro do movimento cultural do carnaval de rua. Afinal, a maioria dos blocos são guiados por homens.

Fechando o sábado, me aventurei no @blocosecreto. Apesar das dúvidas se seria ou não uma realidade, ele saiu e fez o seu lugar. Hoje, já não é tão misterioso mais. Tem até perfil em rede social. O que, sem dúvida, ajuda e muito.

23 de fevereiro | Cortejo Boitatá (Carioca/Tiradentes)

Valha-me Deus, como é bom o @cordaodoboitata. Se há algo que nos impele a lembrar e fazer memória é o ritual sagrado que acontece todos os anos nas ruas do Rio. O Carnaval é fonte de recordações das mais antigas, da infância e juventude, da alegria, da subversão, dos encontros e, porque não, de nossas referências. 

E o Boitatá traz mais do que relações individualizadas. Ele é coletivo e grato pela construção de nossa cultura musical sobretudo aquela que trata do carnaval, do popular. Todos os anos vemos os estandartes puxados pela cobra flamejante, protetora das florestas e, por aqui, de nossa memória. Desfilam com a gente a história que nos levou até o agora e nos inspira para seguirmos firmes na luta pelas ruas, pela vida, pela alegria.

27 de Fevereiro | Loucura Suburbana (Engenho de Dentro)

Em 2025, o Loucura Suburbana completou 25 anos de cortejo no bairro do Engenho de Dentro, zona norte do Rio. É sempre um dos momentos mais incríveis do carnaval carioca e desperta em mim sentimentos diversos para além da folia. Entender que a música e as artes são meios de ressocialização nunca foi difícil, mas ver isso na prática traz uma esperança sincera.

O Loucura então sai do Insituto de Saúde e vai em direção à praça Rio Grande do Norte. Na volta do cortejo para o Nise, muita gente fica na dúvida se aproveita e não fica por lá. Afinal, a realidade de cá fora é ainda mais cruel e insana.

1º de Março | A Nova Bad (Av Chile/Centro) – sábado de carnaval

A vida é um delírio que passa. O carnaval é esse delírio em sua extrema espontaneidade. Desde o ano passo, havia ficado admirado pelo A Nova Bad. A estética e a temática me pegaram de jeito e esse ano, quando resolvi voltar à fotografia, não tinha dúvida de qual era o bloco que mais queria retratar. Por coincidência, era o último suspiro (penúltimo ne, rsrs), mas ele veio de forma tão eloquente e real que, mesmo a tristeza me pareceu bela e admirável.

02 de Março | Canários do Reino (Maracanã) – domingo de carnaval

Já escreveria Dostoievsky, “a beleza salvará o mundo”. Para o autor russo, admirar uma obra de arte nos tira de nós mesmos e é a contemplação do que é belo que nos caminha para o amor, uma ferramenta de enfrentamento à dor que também é estar vivo e acordado nesse mundo. A mim, o bloco Canários do Reino trouxe esse tipo de sentimento, porém de forma a atingir vários dos meus sentidos – sinestesia. Seja pelo som, pelo o que meus olhos viram, seja por caminhar ao lado de músicos, musicistas e pernaltas.

Confirmando o patrono Tim, a natureza é realmente uma beleza. Todavia brigamos até hoje para saber se fazemos ou não parte desse todo. Se somos seu dono ou parte integrante, imanente. Prefiro crer na segunda hipótese e seguir pequenininho diante de tudo que há e com o privilégio de num espaço-tempo determinado, sentir minha alma se banhar em estesia por testemunhar a dança entre a luz e a sombra e disso, fazer um pouquinho de beleza também.

04 de Março | Desculpe o Transtorno (Av Passos/Centro) – terça de carnaval

Essa foi a cobertura mais sensível. Aquela que mexeu e remexeu comigo. Pegou lá no fundo do fundo. Por conta das fotos anteriores, fui recomendado para fazer as do @desculpeotranstornobloco. Porém, era uma ocasião muito especial e emotiva para boa parte do grupo: uma amiga, componente do bloco, havia partido no ano anterior.

Adriana ou simplesmente, Dri, era componente do Bloco e desapareceu ano passado. Um choque, uma tristeza, uma falta irreparável. Um desafino no samba, uma perda de novas memórias afetivas e efetivas. Afinal, ela não está mais aqui para o hoje. Porém, com generosidade e solidariedade ímpar, as amizades se juntaram e a tiraram do nada, do inferno gelado da ausência, recolocando-a em sua avenida preferida, a do samba, a da alegria, a do seu bloco que tanto amava. Logo que cheguei, senti que realmente Dri estava ali e o estandarte maravilhoso e sensível era prova de sua presença nesta ausência de sentido que muitas vezes têm a vida.

08 de Março | Caetano Virado (Aterro/Flamengo)

É clichê e me sinto muito burro, porque não entendi nada, mas não tenho como escapar do “todo carnaval tem seu fim”. Em um mês, fui em pelo menos 20 ensaios e cortejos de blocos cariocas. Para encerrar essa primeira temporada, estive no “Caetano Virado”, no Aterro do Flamengo.

Durante o cortejo, algo que me chamou a atenção estava dentro e fora da coisa em si. Não era a primeira vez que tinha sentido isso no carnaval de 2025: o quanto vivemos realmente um momento particulamente esquisito. Digo isso em relação ao clima. Ao resto da vida, claro, também vivemos sob ameaça. Entretanto, como não chovia há tanto tempo e o sol não alivia, a fumaça que subia não era fogo, mas terra! A cada passo do bloco, a secura do mundo se elevava também cobrindo a música e sua fantasia.

Se por um lado o clima estava seco, a abundância de Caetano, no feliz Rio de Janeiro, constrastava com aquela sensação de fim e poeira. Sentia-me como se estivesse ainda para começar o carnaval. Mas não, ele encerrava ali minha disposição para captar as formas que a sombra e a luz me permitiram durante esses 30 dias. O vapor de cachoeira não iria mais negavar nesse mar. Arribei a saia e, então, fui embora.

14 de março | Todo fim tem seu carnaval

Abaixo, pequenos trechos desse que foi, sem dúvida, um momento de morte-renascimento. Obrigado, Exu. Obrigado, Dionísio. Obrigado, Pachamama. E aos que nos brindam com música e arte, obrigado!

Na ordem de aparecimento:
@bigodedoleoncio
@cordaodoboitata no @circovoador
@desculpeotranstornobloco
@lolodeouro
@CaetanoVirado
@zonadomangue

Nos créditos, Bigode de novo!

Acabo essa saga iniciada em 31 de janeiro, hoje, 14 de março. Nesse dia, duas figuras importantes para a luta antirracista de todo e o sempre e a verdadeira libertação do povo brasileiro sobretudo negro, indígena e trabalhador, nasceram: Carolina Maria de Jesus (1914) e Abdias Nascimento (1914). Não tinha ideia disso, infelizmente. Só soube quando esse maldito/bendito (por trazê-los juntos ao mundo) 14 de março atravessou minha garganta e se tornou uma data eterna. Isso aconteceu há 7 anos, quando mataram Marielle Franco. Muito mais do que minha amiga e camarada, Marielle me deu identidade e me colocou várias vezes no lugar possível que poderia ocupar. Ela escolheu o nome da minha filha, Teresa. E escolheram que minha filha teria o seu também, Teresa Marielle. Não queria, mas não, nunca poderei deixar de esquecer desse nome.

Ainda escuto sua voz. Recordo o tom: “ôô mineiro”. Ninguém nunca me chamou assim. Nem antes nem depois. Só ela. Gostava também desse jeito de olhar com olhos gigantes e um sorriso imenso. Às vezes me consultava pra saber do futuro e do presente. Às vezes me consolava em meio ao tédio da política anacrônica.

Me ensinou muitas coisas na Cinelândia. Umas nem sei onde as guardei, mas sei que tão aqui. Outras, repito e repito sempre. Me levou pra bailar na Lapa. Abriu o mar com o sol do Leme. Tirou meu ar na Rocinha. Chorou comigo em Santa. Foi embora pelo Estácio. Levou consigo a vida passada do sôssego. O mineiro nunca mais foi o mesmo.

Hoje, me reconheço sinceramente como uma de suas sementes. Sou fruto de si, de como foi e é. E estar no carnaval, uma alegria que foi em sua vida, cobrindo a resistência que se faz presente, me leva realmente a pensar que não há futuro sem que mulheres trabalhadoras negras sejam colocadas em seu devido lugar. E este não é nem dentro, muito menos sobre os caixões de seus filhos assassinados pela máquina de moer negros e pobres do Estado. É em seus sorrisos. É na forma como encaram as adversidades. É no quanto se adaptam para a alegria. Oxalá, nos próximos carnavais, que as encontre desuniformizadas. Em sorrisos e movimentos livres. Sem necessidade de adaptação. Como queiram. Da forma como desejam. Trabalhando ou não, Marielles!

Quem se sentir à vontade para apoiar esse projeto tem duas formas: me recomendar para cobrir shows, performances e espetáculos ou pelo PIX 21971321982 (meu zap tb).

Laroiê, Exu! Salve Seu Marabô.

@jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval

Calendário de coberturas:

31/01 – Bloco Virtual – ensaio (MotoCerva/Lapa)
10/02 – Boitatá – ensaio (Circo Voador/Lapa)
14/02 – CorTaylor – ensaio (Aterro/Flamengo)
15/02 – Ibrejinha/Loló de Ouro/NMGD – ensaio (Boulevard Olímpico) | Tecnomacumba (Valongo/Saúde)
16/02 – Mangue – ensaio (Cidade Nova/Estácio de Sá) | Summer – craque (Praia do Flamengo/Glória)
19/02 – Vem cá minha Flor – ensaio (Bola Preta/Lapa)
21/02 – Bigode do Leôncio – ensaio (Gamboa)
22/02 – Canários/Maribondo – ensaio (Cinelândia) | Secreto – ensaio (Carioca)
23/02 – Cortejo Boitatá (Carioca/Tiradentes)
27/02 – Loucura Suburbana (Engenho de Dentro)
01/03 – A Nova Bad (Av Chile/Centro)
02/03 – Canários do Reino (Maracanã)
04/03 – Desculpe o Transtorno (Av Passos/Centro)
08/03 – Caetano Virado (Aterro/Flamengo)

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