Tranquilo?

Tranquilo é um projeto de curadoria e apresentações musicais independente – ou seja, sem editoras, gravadoras e produtoras do mercadão da música por trás, surgido em BH e que hoje, pelas beiradas, vem ocupando a cena de mais cinco capitais: Salvador, Recife, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. Apostando na força das comunidades criadas em torno de si, Tranquilo se coloca como catalizador de artistas que não estão nas rádios, TVs e trends. E com isso, vem sendo um oásis para quem ama a música independente.

Em sua lógica, público e artistas entram em comunhão através de um show intimista e de qualidade, que apresenta propostas novas (ou nem tanto) a margem da indústria cultural do eixo Rio – São Paulo. Além disso, traz um sessão que invade a plateia e faz dali surgirem oportunidades de troca:

“O Olho-no-olho é um momento especial que acontece no final de cada edição do Tranquilo. Os artistas da plateia são convidados a se sentar de frente para outra pessoa (também da plateia) e a ´presentear´ com uma música sua. É um momento muito sensível e bonito com uma chance única de conexão e troca”.

No Rio, o projeto acontece desde outubro de 2024. Nessa terça, 8 de abril, uma nova edição do Tranquilo.RJ movimentou o Clube dos Democráticos, Lapa. A apresentação teve início com o #Descubra, sessão em que um artista que antes era plateia, sobe ao palco para ser apreciado. Dessa vez, a novidade foi a compositora e cantora da Baixada Fluminense, Ana Neri (@ananeri.of). Além de sua bela e marcante voz, pinçada no “Olho-no-Olho” da edição anterior, Tranquilo.RJ ainda teve em seu palco a catarinense e lascívia Jade Baraldo (@jadebaraldo), a tijucana Letrux (@leticialetrux) e o monstro Paulinho Moska (@paulinhomoska) apresentando o talentosíssimo filho Tom Karabachian (@tomkarabachian).

A experiência foi uma imersão viva em uma atual MPB que muitas vezes não chega tão facilmente em quem certamente iria se deliciar com sua presença. Estar de frente para esses artistas foi uma oportunidade de ouví-los sem depender da aleaoriedade de uma lista no Spotify. Afinal, a lógica das redes é a lógica de sempre do capital: quem tem mais, tem mais atenção. Quem não está nesse sistema, luta em meio a um imenso oceano e, com raras exceções, acaba preso a um nicho específico e regional. Chega um momento em que é preciso extravazar os limites e aprofundar as relações com redes próximas, que se desconhecem por variados motivos e um deles, com toda a certeza, é a escassez de apresentações para além do virtual. O que Tranquilo tenta dar conta, no seu jeitinho.

Foi um agrado me deparar pela primeira vez com a sensibilidade de Ana Neri; a ousadia e força de Jade; a graça do blues de Tom. Acompanhar a trajetória e fomentar o reconhecimento, compartilhando essas novidades, são formas de ajudar a furar bolhas e construir ligações que, de tanto em tanto, vão criando degraus para que a música independente chegue aos ouvidos e corações de quem precisa tocar.

Viva a música indepente! Aos que lutam bravamente para furar bolhas e construir novas alternativas de cultura. Vida longa e agitada ao Tranquilo!

@jotapedeoliveira

Ouça os artistas no Spotify:
Ana Nery
Jade Baraldo
Letrux
Tom Karabachian
Paulinho Moska

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