Ensaio escrito em 17 março de 2013, no primeiro dia em que dormi no Rio de Janeiro, após minha chegada para trabalhar na Orquestra Sinfônica Brasileira. Meu querido amigo Márcio heider me acolheu em sua casa, o famoso Casarão do Catumbi, aos pés de Santa Teresa e virado para o sambódromo. Naquela primeira noite dormi no porão, um lugar adaptado para quarto.
Sob o luar úmido da chuva, cheguei. Não foi a primeira vez que a imagem era traída pela realidade climática do lugar – algo que geralmente é deixado de lado na hora de se aprovar orçamentos para determinadas regiões.
Fui acolhido em um casarão, aos pés de minha santa. Arquitetura e localização singular. Dá para ir à pé para o centro. Já conhecia a estrutura, mas não havia estado no andar de baixo, uma outra casa, praticamente. Estando cá, no quarto, escrevo em uma mesa que tem um espelho fixo – uma espécie de penteadeira. Na alcova estou sem luz, pois os fios se romperam. Ao lado, há um aposento iluminado, uma sala mais ampla e com alguns elementos interessantes:
Um tecido para fazer exercícios circenses; uma tela com seres em uma espécie de paraíso; uma balança trançada, móveis, superfícies rústicas e ao mesmo tempo, sofisticadas. Um silêncio do pingo, da chuva, da canaleta deixando correr.







O medo que eu tenho nem é o medo de morte. É o de vida!
Para o poeta, sua alma é do universo e do verso, é do tao. Está na noite incerta e na certeza dela mesma. Nos avisos e lembretes e na própria borracha da memória.
Recorda-se e deixa o que está longe como se estivesse sempre perto. Guarda para si a foto não publicada.
@jotapedeoliveira