Há uma época do ano que é única e mexe demais comigo. O outono me traz um olhar que não é para frente. Até parece que é para o alto, mas não. É pra dentro, por dentro, de dentro. Uma espera calma e atenta. Sonolenta e responsável.
É um tempo em que percebo que não tenho nada e nada é meu. Estou solto, rodeado de vazios. É quando fico sozinho com o mundo e a vida me rasga abrindo caminho e degenerando a sobra. Meu sagitário se recolhe à espera do inverno, sua contradição. Cavalga para trás e se concentra no concreto. Olha pra lua e esconde suas setas. Recolhe de mim a energia para enfrentar o tempo difícil que sempre retorna.
O que me consegue escapar no momento da diminuição não é tristeza. Tão pouco, felicidade. É um quadro estático, latente de vigor, mas paralisado. Livre, todavia impedido de ser Ícaro. Não consigo queimar minhas asas. O sol não me toca com força. Nem tenho força para ir tão alto. Recolho-me, então, no subterrâneo para olhar o silêncio do que há aí fora. Contemplo a temperatura do céu. Fria. Azul e vazia.
O que vibra no meu outono é a vontade. Bate no limite, frequenta só a superfície fina e volta. Se enche para o que virá no tempo ainda pior, mas não mais de espera.
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As fotos abaixo são de vários outonos. De momentos passados em cidades de Minas, Rio, São Paulo e também, Porto Alegre, Montevidéu e Buenos Aires. Não irei identificá-las porque o tempo é o mesmo e ele anda conosco.













































