Fim de semana de pré

Parece até zoeira, mas é trampeira. De sexta, 21, ao domingo, 23, passei por diversos blocos nessa caminhada que escolhi como renascimento. Comecei pela região da Gamboa, com o @bigodedoleoncio botando fogo em geral. Fui pianinho pra casa e de manhã, no sábado, já estava a postos na Cinelândia para cobrir a fina beleza do @blococanariosdoreino e, mais tarde, o @blocomarimbondo. Finalizei o dia na Carioca com o @blocosecreto. E, no domingo, o @cordaodoboitata invadiu o centro do Rio. E eu tava lá pra testemunhar mais como observador do que folião. Esse João veio só mais tarde no – mais uma vez maravilhoso, @zonadomangue que se apresentou na @lonaculturalbaixolapa.

Ainda em dúvida de como será o carnaval. Se fotógrafo ou folião. Um pouquinho de salada. Um pouquinho de droga. Por que não?

Bigode do Leôncio – sexta, 21/02 | Gamboa

Canários do Reino – sábado, 22/02 | Cinelândia

Maribondo Não Respeita – sábado, 22/02 | Centro

Bloco Secreto – sábado, 22/02 | Largo da Carioca

Cordão do Boitatá – domingo, 23/02 | Rua da Carioca

Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval

Bloco Secreto

Fechando o sábado, 22, me aventurei no @blocosecreto. Apesar das dúvidas se seria ou não uma realidade, ele saiu e fez o seu lugar. Hoje, já não é tão misterioso mais. Tem até perfil em rede social. O que, sem dúvida, ajuda e muito.

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Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval

Maribondo Não Respeita

Depois do tradicional vácuo de blocos, entre 11h e 14h, o sábado, 22, trouxe o bloco Maribondo Não Respeita (@blocomaribondo), na parte da tarde, com concentração na esquina da Av. Antônio Carlos com Winston Churchill.

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Projeto @55mmdecarnaval

Maribondo Não Respeita é um bloco dirigido e composto em sua maioria por mulheres, o que o leva para um lugar natural de luta, não só pelos desafios do enfrentamento ao patriarcado que emoldura (e fode) nossa sociedade, mas também por se abrir ao contraditório e ao controverso à norma hegemônica dentro do movimento cultural do carnaval de rua. Afinal, a maioria dos blocos são guiados por nós, homens. Porém, independente do mérito dos projetos exclusivamente femininos, que ocupam esse lugar legítimo de, no mínimo, segurança, Maribondo não se coloca dessa forma. Ele é aberto, sim, aos homens, mas com limitações aos lugares que ocupam na estrutura e, em suas decisões. Uma qualidade inegável e que se aproxima, na minha opinião, de um lugar saudável de aprendizado, dada a nossa ignorância e precariedade. Vida longa às Maribond@!

Sopros

Percussão

Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira | @50mmdecarnaval

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Bigode do Leôncio

Leôncio, essa personagem pitoresca e mal-humarada, transmutou pelo fogo a alegria e pegou junto a subversão do nosso anti-herói favorito da infância: pica-pau. Nessa sexta, 21, acompanhei o ensaio-cortejo do bloco @bigodedoleoncio pela Gamboa, praça da Harmonia.


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Tal qual o bloco Zona do Mangue, a relação com a comunidade também se deu como uma das principais características do Bigode. Não apenas porque moradores estavam em suas casas a acompanhar a passagem do bloco no tradicional circuito eternizado pelo Prata Preta, mas também porque muitos dos músicos e idealizadores vivem e moram na Gamboa.

Reza a mitologia que Prometeu, um titã, filho de Urano, roubou o fogo dos deuses e o ofereceu aos humanos. Com isso, nos deu o faber da arte, a abastração material do mundo e do espírito. A mágica passou a ser ofício do sagrado e dali tudo o que temos hoje foi iniciado.

De todas as linguagens, a música, talvez, seja a mais universal e intransigente. Fora o vácuo, não há como não ouvir. Até aqueles que não possuem esse sentido, escutam e sentem a vibração. O som é matéria e ele contagia a nossa relação com a vida, impulsionando os corpos e por eles sendo moldado.

Ao juntar o moldar o mundo com o estar no território, o Bigode do Leôncio entendeu que o caminho não é só acaso e vazio. No para-e-corre que aquece os sorrisos de criança solta correndo nas ruas, houve tempo e espaço para plantar a esperança. Durante o cortejo, em frente à casa de dois agitadores culturais do bairro, o cortejo parou para plantar uma árvore no asfalto, pois é dele também que nasce a tragédia e é nele que temos que fiar nossa arte para transformar a porra-toda e crescer um novo mundo.

E da impossibilidade da esperança, sempre irá nascer, no lodo da vida e do fogo da lira, a flor da utopia de uma sociedade que supere o capitalismo e possa, como o carnaval, se organizar para a alegria.


Fiat Lux!


Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro (Gamboa), 21 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira

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