Vem Cá Minha Flor

Nessa quarta, 19, estive no ensaio do bloco @vemcaminhaflor no tradicional Bola Preta. Enfrentei certa dificuldade por conta da pouca iluminação e, mais uma vez, o laboratório digital entrou em campo para melhor a iluminação. No chão, estava a percussão e no palco, iluminado de azul durante o ensaio, os sopros.

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Percussão

Sopros

Fotos feita com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro | 19/02/25
@jotapedoliveira

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Pós Summer EletroBloco

No domingo, 16, o último bloco que fotografei foi o Crack do @summereletrobloco. Ele partiu do Aterro do Flamengo em direção ao bairro da Glória. Tirar fotos com pouca iluminação é um desafio que muitas vezes só o laboratório digital resolve. E dessa vez não foi diferente:

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Fotos feita com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro | 16/02/25
@jotapedeoliveira

Não Monogamia Gostoso Demais

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Se a gente parar pra pensar sobre o que é monogamia vai perceber que o casamento por amor é uma invenção do romantismo. Portanto, datado. Um grito de liberdade da juventude aristocrata-burguesa do século XIX. Em praticamente todo o mundo, até bem pouco tempo atrás, a união entre duas pessoas acontecia por necessidades econômicas – olha o dote, aí; territoriais; familiares e burocráticas. Talvez seja duro pensar nisto, mas é bem provável que uma antepassada sua deva ter sido forçada a se casar com um homem, geralmente mais velho, que não a conhecia antes das núpcias.

O ideal romântico reorganizou a sociedade industrial e urbana em uma panela de pressão sobre as mulheres. Ela passou o século XX num lugar de entrega e sacrifício para o marido e a família, de compromisso com valores sociais conservadores, com um ideal romanciado e vendido por novelas que as colocam sempre como dependentes desse domínio.

A monogamia para Alexandra Kollontai (1872-1952), do jeito como é proposta e executada na modernidade, é uma armadilha para as mulheres, pois os monogâmicos, os homens que pregam e impõem a mesma, só querem ser cuidados e nada mais. Uma prisão que as impede de ser verdadeiramente felizes, pois não são livres, por mais que se convençam em um momento ou outro de uma satisfação clandestina.


A monogamia, seja de um casal hétero ou não, dá respaldo social para que mulheres se silenciem diante o medo do abandono, da violência doméstica, das mazelas econômicas e com isso, trabalhem gratuitamente, dia após dia, para outra pessoa, seja cuidando da casa, de seus descendentes, sua saúde, alimentação negócios, prazeres e por aí vai. Sempre terá uma mulher no fino meio fio da vida enquanto a monogamia for idealizada.

Amar e ser correspondido/a para a maioria das pessoas, é uma vã espera cega, repetitiva, traumática e cheia de insatisfação. O amor romântico é um apelo à dominação conservadora e patriarcal explícita. Na maioria das vezes, retira do mundo duas pessoas, mais do que coloca uma nova potência.

Já a não monogamia pode bem ser um vazio, um caminho mais facilitado para o hedonismo, uma lacuna carente a ser preenchida com menos barreiras, sem posses ou promessas. E, tudo bem. Não há nada que garanta qualquer recompensa futura, mas há liberdade sobretudo para aquelas que sempre estiveram sob a égide de uma sociedade machista e geralmente misógina.

Fotos feita com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro | 15/02/25
@jotapedoliveira

Zona do Mangue

Porque no rio tem pato comendo lama? – Rio, pontes e Overdrives (Chico Science e Nação Zumbi)

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Não é só por conta do título de 1987* que a peleja entre Rio e Pernambuco se faz presente na cultura brasileira. Não se sabe ao certo quem possui razão, mas cada um puxa para si a maior criação de nosso povo: o carnaval como conhecemos. Ambos afirmam que em suas origens estão a negritude, a subversão, a vinda dos orixás e eguns às ruas, a inversão de papeis sociais e tudo o que isso significa. E foram essas práticas que moldaram a festa regada à música, dança e gente, seja lá ou aqui. Porém, o que importa, na verdade, é que do Pernambuco veio o maracatu e do Rio, o samba. Sobre isso ninguém briga, pelo contrário, soma.

E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações

– A cidade (CSNZ)

O bloco @zonadomangue** estreia no carnaval do Rio confirmando a fusão entre a mescla cultural riquíssima do Rio e do Recife, com a história da entidade “cidade” e mais do que isso: com o mangue e seus molambos e molambas. Ao resgatar a zona do mangue, na região da Cidade Nova/Praça XV; o projeto contribui para a necessária descentralização da folia. Além disso, o lúdico presente nas máscaras e fantasias do Zona do Mangue e, a música e seus instrumentos, deram muito sentido para a relação comunitária, que ficou muito patente no ensaio desse domingo, 16 de fevereiro. O cortejo, em boa parte, o Estácio, berço do samba, palco do carnaval de Avenida, mas com características urbanas e sociais que muitas vezes não permitem espontaneamente que suas ruas estreitas vejam a passagem de blocos por ali.

Eu sábado vou rodar
Criança de domingo
Faça chuva ou sol
Amo o meu domingo

Criança de Domingo (CSNZ)

O que se viu ontem é o que me pareceu também como uma “formação de público”. O contato de meninas e meninos com a lama, os instrumentos, fantasias e a música abriu sorrisos e deu a impressão que esse foi um dia que não sairá tão cedo da memória daquelas crianças e espero, realmente, que tenha plantado uma semente pelas artes e a expressão.

Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar – Siba

O repertório não nega suas origens e tanto marchinhas e sambas típicos do Rio, quanto Chico Science, Mundo Livre S.A., Siba, Mestre Ambrósio e a banda Eddie, também fazem parte desse cado do Recife na antiga zona boêmia carioca.


As fantasias pitorescas, meio circenses, combinadas com a lama do manguebeat, dão o tom de um carnaval em que a arte e os mistérios devem conviver com a busca pelo RE-conhecimento da cidade. Uma cidade em meio a maguezais, com seus urubus e especuladores, que fazem da fome uma estratégia de domínio. Uma cidade em que seu povo, mesmo, na miséria que é dada, ainda assim, encontra seus furos e tira da lama as batidas do maracatu que dão potência e esperançar em todas as almas, até mesmo, às sebosas.

Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro (Cidade Nova/Estácio), 16 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira

* Durante quase duas décadas, Flamengo e Sport Clube do Recife brigaram na justiça para que fosse determinado o campeão nacional de 1987. Em campo, com as regras iniciais do campeonato, um time formado por, entre outros, Jorginho, Zico, Renato Gaúcho e Bebeto, o Flamengo se sagrou campeão vencendo o Internacional na final. Entretanto, em função de brigas e interesses de cartolas, as regras foram mudadas na fase semi-final. Ele passou a exigir uma segunda final entre o campeão da 1ª divisão e o da 2ª, no caso, o Sport. Nos tribunais, o clube do Recife foi o vencedor. Porém, para o futebol, a equipe histórica, base das seleções de 1990 e 1994, que ficou foi a do flamengo.

** Ensaio recomendando pelo @carnavalicia

Tecnomacumba – Rita Bennedito

Laroyê, Exu!
Laroyê, Exu! Pelo segundo ano consecutivo, a região do Cais do Valongo se tornou uma grande terreiro a céu aberto para louvar o carnaval, os orixás e o povo da rua. O carnaval é tempo em que os orixás saem à cidade, levando consigo o axé, o agogô e o batuque da cultura negra.

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@blocotecnomacumba, de @RitaBennedito, é uma síntese da nossa cultura popular, negra, indígena, litorânea e nordestina. A primeira característica que considerei para chegar a essa conclusão, é a territorial, por acontecer no Rio de Janeiro, cidade em que se vê todas as classes e cores de brasileiros no seu cotidiano, queira você ou não. Em São Paulo, definitivamente, não tem isso. É um carnaval com ritmo e dança, com uma música potente que mistura a macumba, o rock pesado e bases eletrônicas. É pra cima, empolgante, uma vocalista puxadora de ponto. É religioso, mas sincrético, pois não se esquece da Jurema. É sagrado tal qual uma procissão católica ou uma louvação na Central. Afinal, não há nada mais espiritual para o povo de rua do que uma festa, na RUA.


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E não é qualquer festa. É uma festa “do lado de fora” dos barracões, na Avenida. No geral, não é escondido porque é mistério. É escondido, sim, por medo de ser atacado. Só que na Tecnomacumba, as pessoas querem ser amigas de seu Zé e dona Maria Padilha. Afinal, é no clima do carnaval que a gente desce as máscaras ordinárias e abraça a liberdade.

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Portanto, creio que esse momento proporcionado pelo @blocotenomacumba reúne em si características da nossa cultura urbana, em que um liquidificador cultural/religioso chamado Umbanda fez a mediação: louva os Orixás negros, a Jurema e os Caboclos indígenas e até o palestino tem seu lugar, Jesus. Do ocidente mesmo, só às vezes, o espiritismo-positivista e hierárquico de Kardec. Ou seja, no final das contas, a religião prova que somos outra coisa, por mais que a submissão ao modo de vida e hegemonia cultural estadunidense nos confundam, nos dizendo que somos ocidentais. Somos Sudacas! Acho até que Rio, São Paulo e Salvador, pelo menos, são cidades cosmopolitas, dentro de um sistema econômico dolarizado, ocidentalizado, óbvio.

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Porém, o que tem aqui, no nosso carnaval, não tem em lugar algum. Tudo bem que no resto do mundo possa existir coisas que não temos, mas acho difícil haver qualquer lugar nesse planeta onde você vai, ao mesmo tempo, pra rua com a roupa que quiser (ou sem), canta a música em coro com gente que nunca viu, dança onde passam os carros, se entorpece, beija meninos, meninas e menines e isso é socialmente aceito; faz amizades, come, bebe, pega o instagram e ainda pode fumar/bater um/a. E continua.

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Fotos feitas com a lente Canon .50mm
Rio de Janeiro, Cais do Valongo/Prainha | 16 de fevereiro de 2025
@jotapedeoliveira